Rathlin Island, na Irlanda do Norte, está no centro de um projeto inovador de conservação que visa erradicar ratos e ferrets, animais invasores que ameaçam a vida das aves marinhas locais. A iniciativa, que começou em 2023, busca proteger a maior colônia de aves marinhas da Irlanda do Norte, composta por guillemots, fulmars, kittiwakes e puffins, entre outras espécies.

Desafio da erradicação de predadores invasores

Os ratos são uma ameaça significativa para as aves em muitas ilhas ao redor do mundo, consumindo ovos e filhotes. A presença de predadores invasores pode levar a sérias consequências para as populações de aves, como evidenciado pela extinção do dodo em Maurício, que ocorreu dentro de um século após a chegada de ratos e outros animais trazidos por seres humanos.

Conforme destacado pelo biólogo de conservação James Russell, da Universidade de Auckland, a erradicação de predadores é uma das intervenções de conservação mais eficazes. Em Rathlin, a estratégia envolve o uso de armadilhas letais, veneno, drones térmicos e até mesmo cães farejadores para eliminar os ratos da ilha.

Histórico e avanços na erradicação

O projeto de erradicação em Rathlin é um desdobramento de mais de 20 anos de discussões sobre a questão. Liz Bell, uma especialista em conservação, liderou estudos de viabilidade que destacaram a importância da ilha para a preservação das aves marinhas. Embora Rathlin não seja a maior ilha a passar por um projeto de erradicação, é a maior que é totalmente habitada, o que apresenta desafios adicionais, como a necessidade de evitar que o veneno atinja animais domésticos e crianças.

Em 2023, a erradicação começou com a eliminação de ferrets, que também representam uma ameaça. Foram instaladas 450 armadilhas, resultando na morte de 98 ferrets. A próxima fase focou nos ratos, com uma estimativa de 10.000 indivíduos vivendo na ilha. Para isso, foram colocadas 7.000 estações de iscas em intervalos de 50 metros, em locais estratégicos, incluindo áreas difíceis de acessar, como falésias.

A campanha de erradicação de ratos começou em setembro de 2024, e os primeiros resultados indicam que a maioria dos ratos foi eliminada em apenas um mês. A expectativa é que a recuperação das populações de aves marinhas atraia mais turistas, beneficiando economicamente a comunidade local.