O Brasil possui uma infraestrutura avançada para monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas a integração dos sistemas existentes ainda é deficiente. Essa conclusão é parte do estudo "Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil", lançado no dia 28 de julho pelo WRI Brasil.

O levantamento analisou 21 iniciativas focadas em monitoramento e rastreabilidade socioambiental, sendo dez relacionadas à soja e 11 à carne bovina, abrangendo os biomas Amazônia e Cerrado.

Conforme os dados do estudo, os instrumentos analisados têm o intuito de apoiar o monitoramento e a verificação dos processos de produção. A partir da análise comparativa, os pesquisadores apresentaram dez recomendações que visam aprimorar os mecanismos de controle e orientar políticas públicas.

Recomendações para aprimoramento

Entre as sugestões apresentadas estão a adoção da propriedade rural como unidade de monitoramento, a utilização de dados oficiais e cientificamente validados, além da verificação da conformidade com o Código Florestal Brasileiro e da ausência de violações relacionadas ao trabalho forçado. O estudo também recomenda a implementação de auditorias independentes e a publicação de relatórios de transparência.

Além disso, os pesquisadores sugerem expandir o monitoramento para todos os biomas, garantir que não tenha ocorrido desmatamento ilegal conforme o Marco Temporal de 2008, promover o desmatamento zero após agosto de 2020, monitorar toda a cadeia de suprimentos, incluindo fornecedores indiretos, e criar sistemas para reintegração de fornecedores após ações corretivas e comprovação de regularização.

Impactos e oportunidades

Mariana Oliveira, diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra no WRI Brasil, destacou que o avanço na rastreabilidade pode contribuir para um modelo de desenvolvimento territorial mais sustentável no campo. Ela mencionou que instituições financeiras já utilizam bases de dados oficiais e não oficiais para realizar checagens, sugerindo a possibilidade de ampliação dessa prática nas análises de risco realizadas por bancos de desenvolvimento e investidores.

O estudo também cita a China como um mercado que pode se beneficiar de um protocolo de rastreabilidade. Em 2024, o país importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em soja e carne bovina.

Os pesquisadores concluem que a integração de bases de dados e a harmonização de critérios técnicos nas esferas governamentais podem aumentar a transparência na avaliação de riscos socioambientais e fortalecer a cooperação com grandes mercados compradores.