Residentes de comunidades devastadas por incêndios a oeste de Madrid começaram a retornar para casa na terça-feira, 8 de agosto, após o levantamento de algumas ordens de evacuação. Em contrapartida, autoridades no sudoeste da França alertam que uma nova onda de calor pode reiniciar grandes incêndios e forçar milhares a deixar suas residências novamente.
Na Espanha, moradores que fugiram de alguns dos piores incêndios da história recente começaram a voltar para suas casas, mas em solo francês, o temor de um calor intenso levou a novas ordens de evacuação. Na região oeste da capital espanhola, Madrid, vastas áreas de florestas secas e propriedades foram destruídas, afetando dezenas de milhares de pessoas.
Retornos e Destruição na Espanha
O Ministério do Interior da Espanha anunciou a suspensão das ordens de evacuação para 15 municípios na tarde de terça-feira, trazendo uma notícia positiva em meio à crise. Em Navas del Rey, uma das vilas evacuadas, repórteres da AFP relataram a presença de escombros carbonizados, cinzas e carros queimados. Segundo estimativas iniciais de autoridades municipais, cerca de 50 casas foram destruídas e outras 50 sofreram danos.
Maria Paz Bolanos, de 62 anos, retornou com sua família para sua residência e encontrou o jardim apenas levemente queimado. "Estamos aqui há 50 anos. Deve ter sido meu avô, meu pai no céu. Ele fez com que o fogo parasse aqui. É um milagre", afirmou. O prefeito de Pelayos de la Presa, Antonio Sin, descreveu a situação como "uma zona de guerra", referindo-se à gravidade do incêndio.
Desafios e Evacuações na França
Na França, o maior incêndio desde 1949 já devastou áreas a oeste de Bordeaux, forçando mais de 220 mil pessoas a se evacuarem e destruindo 240 casas. Sophie Brocas, a principal autoridade do governo na região de Gironde, informou que o incêndio havia "se estabilizado", permitindo o retorno de quase 60 mil evacuados. Contudo, 14 focos de incêndio nas proximidades reacenderam.
Enquanto isso, voluntários têm trabalhado incessantemente para apoiar os bombeiros, reabastecendo-os com água em meio a condições desafiadoras. "Despejamos 8 mil litros em uma área e, uma hora depois, tudo começa de novo", relatou um voluntário, Pierre Marie. A preocupação aumenta diariamente.
O governo francês se reunirá na quinta-feira para discutir as "preocupações" das empresas, uma vez que cerca de 130 mil funcionários estão impossibilitados de trabalhar devido aos incêndios. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, declarou que a Espanha está "mudando a maré" na luta contra os incêndios, embora o prefeito de Robledo de Chavela tenha sido mais cauteloso, comparando o incêndio a um "gato adormecido" à noite e a um "leão poderoso" durante o dia.
A Europa enfrenta ondas de calor sucessivas e uma grande seca, fenômenos atribuídos às mudanças climáticas provocadas pelo homem. A agência meteorológica da Espanha anunciou uma nova onda de calor começando na quarta-feira, com temperaturas previstas de até 42°C no nordeste e 39°C no centro do país. A previsão na França também indica clima quente e ventos secos, aumentando o risco de novos incêndios.
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