Dois novos tipos de gelo foram descobertos que podem ajudar a explicar os campos magnéticos incomuns dos planetas gasosos Urano e Netuno. Estes planetas têm campos magnéticos muito diferentes dos da Terra, o que pode ser explicado pela presença de formas de gelo únicas em suas profundidades.

Nova forma de gelo

O gelo familiar que conhecemos na vida cotidiana é apenas uma das mais de vinte fases possíveis, cada uma com uma estrutura molecular diferente. Sob pressões e temperaturas elevadas, o hidrogênio e o oxigênio que compõem a água se reorganizam, dando a cada fase propriedades elétricas e mecânicas únicas.

Os pesquisadores utilizaram um dispositivo chamado anvil de diamante para pressionar moléculas de água a pressões de milhões de atmosferas. O físico francês Gunnar Weck e colegas também aqueceram o anvil com um laser, levando as amostras a temperaturas de milhares de graus.

A nova fase de gelo encontrada sob tais condições é chamada de gelo hexagonal aperto (hcp). A principal diferença entre o hcp e o 'normal' gelo é a maneira como os átomos de hidrogênio se movem nele: 'O oxigênio permanece em uma grade sólida, enquanto o hidrogênio se move como em um líquido', explica Weck. Isso faz com que o hcp seja um superionico, muito mais condutor elétrico do que outras formas de gelo.

Implicações para os planetas gasosos

A condutividade elétrica é importante porque pode ajudar a explicar por que os campos magnéticos dos planetas gasosos estão inclinados e deslocados - se esses campos são causados por correntes de carga fluindo através de superionicos próximos à superfície dos planetas, em vez de algum tipo de dinamóforo no centro, como na Terra, isso pode facilmente se adequar ao que os satélites espaciais observaram.