A cidade de Leuna, localizada na região de Saxônia-Anhalt, na Alemanha, é um importante centro industrial, abrigando mais de cem empresas. Entre elas, está a empresa finlandesa UPM, que recentemente inaugurou uma biorefinaria para produção de químicos baseados em madeira.

A UPM está anunciando vagas para técnicos químicos, mas com uma exigência inusitada: os candidatos devem estar dispostos a trabalhar turnos de 12 horas. Isso levanta questionamentos sobre a legalidade do horário de trabalho estendido.

De acordo com a legislação alemã, o horário de trabalho padrão é de oito horas diárias, permitindo-se até dez horas, desde que o trabalhador receba compensação em folgas e haja pelo menos onze horas de descanso entre dois turnos. No entanto, trabalhos de 12 horas são permitidos em casos excepcionais, como em serviços de emergência, saúde e segurança, além de indústrias como energia e petróleo-refinaria.

Reivindicações por maior flexibilidade

Empresas e associações empresariais têm defendido a necessidade de maior flexibilidade nas regras de horários de trabalho. Rainer Dulger, presidente da Confederação das Empresas Alemãs (BDA), argumenta que as leis atuais são antiquadas, comparando-as a tecnologias obsoletas como máquinas de fax e telefones de discagem rotativa.

Em seu acordo de coligação de 2025, o Partido Social-Democrata (SPD) concordou em reformar a Lei sobre Horários de Trabalho, permitindo um horário semanal máximo em vez de diário, com o objetivo de promover um equilíbrio melhor entre vida pessoal e profissional.

Surpresa do chefe do governo

O próprio chefe do governo, Friedrich Merz, ficou surpreso ao visitar a fábrica da UPM em Leuna em setembro. Ele relatou que o supervisor de turno descreveu o horário de trabalho de três dias como 'ótimo', permitindo tempo suficiente para família e organização.