Patentes não são apenas documentos legais, mas também uma fonte rica de informações científicas sobre químicos em desenvolvimento, muitas vezes anos antes de serem usados em produtos ou no ambiente. Essa informação pode ser crucial para os sistemas de alerta antecipado (EWS), que ajudam autoridades a identificar químicos potencialmente perigosos antes que se tornem ameaças à saúde humana e ao meio ambiente.

Tecnologia enfrenta desafios

A principal barreira é que grande parte das informações químicas nas patentes está encapsulada em imagens, como estruturas moleculares e esquemas reacionais, que não podem ser lidas por busca de texto. Menos de 7% dos patentes analisados contêm imagens de estruturas químicas, e mesmo quando presentes, elas são quase invisíveis para computadores a menos que sejam convertidas em formatos legíveis por máquina.

‘Um patente pode representar uma nova molécula anos antes de sua produção em larga escala,’ explica Farina Tariq, pesquisadora doutoral da Universidade de Umeå. ‘Se pudermos ensinar computadores a ler essas imagens, podemos dar cientistas e autoridades mais oportunidades para investigar químicos potencialmente preocupantes.’

Testes de inteligência artificial

O estudo, publicado na revista Chemical Research in Toxicology, testou três ferramentas de reconhecimento de estruturas químicas em dois conjuntos de dados curados do Espacenet da OEPP: um de química orgânica geral e outro de substâncias fluoradas perfluoradas (PFAS).

Embora as ferramentas tenham se mostrado eficazes em estruturas orgânicas padrões, apresentaram desempenho variável em estruturas PFAS. Em 26 das 43 estruturas únicas de PFAS, nenhuma ferramenta gerou um resultado correto. As ferramentas tiveram dificuldade com descrições complexas de químicos em patentes e com imagens antigas, distorcidas ou borradas.