As autoridades espanholas permitiram que milhares de pessoas evacuadas devido a incêndios florestais retornassem para suas casas após o levantamento das restrições nas áreas de Toledo, Madrid, Ávila e Castellón. Somente na região de Madrid, 24 mil pessoas foram autorizadas a voltar, enquanto as restrições de outras 20 mil foram suspensas.
Nova onda de calor e incêndios persistentes
A Espanha e a França se preparam para a quarta onda de calor do verão, com alguns incêndios ainda em andamento, incluindo um em Burgohondo, a 150 km a oeste de Madrid. Na região da Gironde, no sudoeste da França, os maiores incêndios estão descritos como "ainda estabilizados", apesar de alguns recomeços. Autoridades locais alertam sobre ventos secos e temperaturas que podem chegar a 41°C.
A prefeita de Le Barp, Blandine Sarrazin, indicou que a situação está "se tornando mais difícil", após o surgimento de dois novos incêndios, e pediu que todos permaneçam "hipervigilantes". Dezesseis departamentos estão sob alerta laranja de onda de calor, incluindo a área de Landes, mais ao sul.
Impacto dos incêndios e medidas de contenção
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que as próximas 12 horas serão "decisivas" para o combate ao incêndio próximo à capital. "As coisas estão progredindo favoravelmente, com máxima cautela", declarou ele a repórteres, mencionando temperaturas elevadas, baixa umidade e o risco de rajadas de vento. Um incêndio ainda fora de controle ocorre em Vall d'Uixó, no noroeste de Valência.
O incêndio em Burgohondo, na província de Ávila, já devastou mais de 43 mil hectares e é considerado o maior incêndio florestal já registrado na história da Espanha. Este incêndio forçou 40 mil pessoas a deixar suas casas. Francisco Bolaños, um dos responsáveis pelas operações de combate, informou que, apesar de o fogo não ter avançado durante a noite, há preocupações sobre a possibilidade de reignição devido ao aumento das temperaturas, e o foco está na estabilização de um perímetro de 180 km.
Entre os que retornaram para casa estavam cerca de mil moradores das cidades de Navas del Rey e Chapinería, a oeste de Madrid, que estavam abrigados em Leganés, uma localidade na periferia da capital. A prefeita de Chapinería, Lucía Moya, afirmou à Telemadrid que as consequências para a cidade são muito severas, com muitos residentes perdendo suas casas e empregos, e que a recuperação será uma tarefa árdua.
Embora não tenham sido relatadas fatalidades nos incêndios ao redor de Madrid e em Castellón, autoridades na cidade de Sevilha informaram que uma mulher, que ficou gravemente queimada no incêndio de Los Gallardos, em Almería, faleceu devido aos ferimentos. Ao todo, 14 pessoas perderam a vida nos incêndios de Almería, incluindo cidadãos do Reino Unido, Bélgica, Estados Unidos, França e Espanha.
Incêndios também estão ativos em Portugal, na região nordeste de Vila Real, onde autoridades estão monitorando um frente ativa de um quilômetro perto de uma estação de tratamento de água e um depósito de gás. Além disso, incêndios foram registrados na Grécia, na ilha de Paros e na cidade de Trifylia, no continente grego.
As mudanças climáticas estão elevando as temperaturas globalmente, e a Europa é o continente que mais aquece, aquecendo-se duas vezes mais rápido que a média global, segundo o Serviço de Mudança Climática Copernicus. Isso resulta em ondas de calor mais intensas, maior pressão sobre os suprimentos de água e incêndios florestais mais severos.
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