A Droga Raia foi condenada a pagar R$ 4 milhões por dano moral coletivo após a Justiça do Trabalho reconhecer casos de assédio moral, sexual e materno, além de práticas discriminatórias em unidades da rede.

Relatos de violência e discriminação

O processo reúne depoimentos de trabalhadores que relataram exposição a assédio sexual, comentários sobre gravidez, homofobia e gordofobia. Uma funcionária afirmou ter sofrido toques indevidos por um superior. Outra gerente disse que uma funcionária grávida deveria comprar anticoncepcionais e fazer estoque de camisinhas para evitar engravidar. Um empregado relatou ser alvo de homofobia com a frase: "se o seu pai não te ensinou a virar homem, eu vou te ensinar". Uma vigilante foi chamada de gorda e informada de que não poderia exercer a função por causa do peso.

Medidas e exigências do tribunal

O TRT-RJ determinou que a empresa adote medidas para combater assédio e discriminação em todas as filiais. Deve elaborar em 90 dias novos programas de gerenciamento de riscos psicossociais e controle médico ocupacional, com foco em escuta qualificada e questões de gênero. O tribunal criticou os programas atuais como formais e sem monitoramento efetivo. O canal interno de denúncias foi considerado ineficaz, conforme previsto na Lei 14.457/2022. O valor de R$ 4 milhões será acrescido de juros e correção monetária e destinado ao Fundo de Amparo ao Trabalhador ou a projetos indicados pelo Ministério Público do Trabalho.